quarta-feira, 27 de abril de 2011

Renato Russo


Enquanto a vida vai e vem, você procura achar alguém, que um dia possa lhe dizer, quero ficar só com você! (Renato Russo)

domingo, 24 de abril de 2011

Quem ama, inventa

Quem ama inventa as coisas a que ama... 
Talvez chegaste quando eu te sonhava. 
Então de súbito acendeu-se a chama ! 
Era a brasa dormida que acordava... 

Era um revôo sobre a ruinaria, 
No ar atônito bimbalhavam sinos, 
Tangidos por uns anjos peregrinos 
Cujo dom é fazer ressurreições... 

Um ritmo divino? Oh! Simplesmente 
O palpitar de nossos corações 
Batendo juntos e festivamente, 
Ou sozinhos, num ritmo tristonho... 


Ó! meu pobre, meu grande amor distante, 
Nem sabes tu o bem que faz à gente 
Haver sonhado... e ter vivido o sonho!


Mário Quintana



Amo esse verso

Do amoroso esquecimento

Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Espelho Mágico
Mário Quintana

Amore

A Neve
 Alberto Caeiro
 
A neve pôs uma toalha calada sobre tudo. 
Não se sente senão o que se passa dentro de casa. 
Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar. 
Sinto um gozo de animal e vagamente penso, 
E adormeço sem menos utilidade que todas as ações do mundo. 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Um caso de amor...

Por: Clébia Rosa


Quando eu descobri você – é isso mesmo, 
descobri como o Colombo que descobre o novo mundo.
Eu era meio perdida. 

Eu vivia com aquela sensação de andrajo, 
atravessando as estradas, só que o meu saco de estopa não pesava tanto, 
não tinha muita coisa, aliás, era bastante vazio. 

Hoje eu sei que eu continuo meio perdida (e isso te deixa meio louco da vida), 
coisas de gente que sonha demais. 
Eu sou meia assim mesmo. 

A violência continua mal, a Dilma é Presidenta do Brasil, 
o Thiago de Mello escreveu uma nova poesia
o Chico Buarque continua sumido, mas sempre presente com suas canções e poesias e eu perdi a vontade de ser sozinha na vida! 

Eu sei que já disse isso outras vezes,
lá naquelas noites estreladas,
agora escrevo pra ficar gravado: 

Com você, perdi aquela sensação de ser só!

Estou completa.
Descobri que só você me faz completa,
porque com você foi amor à primeira vista.

Nós nos vimos e logo nos apaixonamos.
Como todo sentimento verdadeiro, a relação começou com flerte, foi crescendo e chegou à uma hora em que explodiu... Boom!

Numa história de amor, obviamente, tem crises, chiliques, ataques.
Faz parte do clímax. Na verdade, "faz parte do show!"
Esses sentimentos estão presentes em qualquer roteiro de bom filme!
E, em filme, após a crise vem calmaria, conciliação e paz.

Quando jovens inocentes, somos maniqueístas.
De forma ridícula, temos ciúmes, criamos barreiras e vemos defeitos.
Quem não os tem?

Mas, com o passar do tempo e bastante sofrimento, a gente amadurece e aprende a compreender a diversidade: Evolução!
Superados os desajustes, assim é a nossa história... Longa, intensa e sinceramente espero que seja infinita.

Pode esperar o café que vou fazer e levar com pãozinho requentado no forno... na cama!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Lygia Fagundes Telles

Enriqueço na solidão: Fico inteligente, graciosa, e não está feia ressentida que me olha do fundo do espelho. Ouço duzentas e noventa e nove vezes o mesmo disco, lembro poesias, dou piruetas, sonho, invento, abro todos os portões e quando vejo a alegria está instalada em mim.

sábado, 16 de abril de 2011

Limites do Amor

Condenado estou a te amar
nos meus limites
até que exausta e mais querendo
um amor total, livre das cercas,
te despeça de mim, sofrida,
na direção de outro amor
que pensas ser total e total será
nos seus limites da vida.

O amor não se mede
pela liberdade de se expor nas praças
e bares, em empecilho.
É claro que isto é bom e, às vezes,
sublime.
Mas se ama também de outra forma, incerta,
e este o mistério:

  - ilimitado o amor às vezes se limita,
proibido é que o amor às vezes se liberta.


                                                          
 Affonso Romano de Santana

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O Amorrr


Fernando Pessoa
 
O amor, quando se revela, 
Não se sabe revelar. 
Sabe bem olhar p'ra ela, 
Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que sente 
Não sabe o que há de *dizer. 
Fala: parece que mente 
Cala: parece esquecer 
Ah, mas se ela adivinhasse, 
Se pudesse ouvir o olhar, 
E se um olhar lhe bastasse 
Pr'a saber que a estão a amar! 
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente 
Fica sem alma nem fala, 
Fica só, inteiramente! 
Mas se isto puder contar-lhe 
O que não lhe ouso contar, 
Já não terei que falar-lhe 
Porque lhe estou a falar...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Drummond



AUSÊNCIA
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Amor Amor




DO AMOROSO ESQUECIMENTO

Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Mario Quintana - Espelho Mágico

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Eu sei, mas não devia


Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colasanti
 nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.

Motivo


Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Cecília Meireles

domingo, 3 de abril de 2011

Thiago de Mello, gênio

Arte de amar

Não faço poemas como quem chora, 
nem faço versos como quem morre.
Quem teve esse gosto foi o bardo Bandeira
quando muito moço; achava que tinha 
os dias contados pela tísica
e até se acanhava de namorar.

Faço poemas como quem faz amor. 
É a mesma luta suave e desvairada
enquanto a rosa orvalhada
se vai entreabrindo devagar.
A gente nem se dá conta, até acha bom,
o imenso trabalho que amor dá para fazer.

Perdão, amor não se faz.
Quando muito, se desfaz.
Fazer amor é um dizer
(a metáfora é falaz)
de quem pretende vestir
com roupa austera a beleza
do corpo da primavera.
O verbo exato é foder.
A palavra fica nua
para todo mundo ver
o corpo amante cantando
a glória do seu poder

Eduardo Galeano



Um amigo de verdade é aquele que nos critica na nossa frente e nos elogia nas nossas costas. (Eduardo Galeano).

O amor


"Se acaso o amor te encontrar,seja atento.Se acaso a paixão te assediar,seja calmo!Se acaso um olhar te prender,seja livre"!!!
Clébia Rosa

Clarice e o amor

ISSO É MUITA SABEDORIA
Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer.
Clarice Lispector

Chico Buarque - Outros Sonhos

Música que inspirou esse blog

Outros Sonhos Chico Buarque

Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
Sonhei que ela corava
Quando me via
Sonhei que ao meio-dia
Havia intenso luar
E o povo se embevecia
Se empetecava João
Se emperiquitava Maria
Doentes do coração
Dançavam na enfermaria
E a beleza não fenecia

Belo e sereno era o som
Que lá no morro se ouvia
Eu sei que o sonho era bom
Porque ela sorria
Até quando chovia
Guris inertes no chão
Falavam de astronomia
E me jurava o diabo
Que Deus existia
De mão em mão o ladrão
Relógios distribuía
E a policía já não batia

De noite raiava o sol
Que todo mundo aplaudia
Maconha só se comprava
Na tabacaria
Drogas na drogaria
Um passarinho espanhol
Cantava esta melodia
E com sotaque esta letra
De sua autoria
Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
E por sonhar o impossível, ai
Sonhei que tu me querias

Soñé que el fuego heló
Soñé que la nieve ardía
Y por soñar lo imposible, ay, ay
Soñé que tú me querías